quinta-feira, 22 de maio de 2008

Quantos pães tendes? (Mc 6,38 e 8,35)

Esta pergunta simples, mais de uma vez repetida nos Evangelhos, abre um novo caminho para resolver os problemas humanos: Quantos pães tendes?

Longas horas andara a multidão, procurando Jesus. Tem gente cansada. Começa escurecer. Apesar do deserto, do calor e da fadiga, a multidão, que sente falta de pastoreio, ficou muito tempo ouvindo o Mestre. Parece que o ser humano, em tais circunstâncias, mas deseja a Palavra que o pão... mas, o Senhor, com ternura, preocupa-se com a fome do povo (cf. Mc 8,2).

Jesus pede a seus discípulos que procurem uma maneira de alimentar seus irmãos.

E eles não hesitam em dizer ao Mestre: Manda-os embora para que vão aos povoados vizinhos e comprem alguma coisa de comer ... Como vamos nós comprar mais de duzentas moedas de pão? (Mc 6,36-37).

A solução proposta pelos apóstolos, diante da fome e do desamparo, é surpreendentemente atual: que cada qual se vire como possa; que vá às lojas! Parece que tudo se arruma comprando!

Nestas circunstâncias, Jesus os surpreende com sua pergunta: Quantos pães tendes?

Esta pergunta os tira de sua lógica e os convida a partilhar o pouco que têm. Jesus pede uma ajuda. Não importa de quanto. Pede que o ser humano ponha sua parte na tarefa, que participe dando sua migalha. Não importa que sejam apenas 5 pães. Deus não quer fazer apenas o que o ser humano pode fazer.

Nesta tarde, todos puderam comer até ficar saciados e sobrou pão. A bênção de Jesus caiu sobre este gesto de partilha do que se tem. No deserto era difícil desprender-se, já anoitecendo, do único alimento. O milagre foi fazer fecunda a partilha... e o alimento deu para todos com sobra.

O Senhor precisa de nós... Quantos pães temos? Num mundo que ensina a produzir, a comprar e acumular para fazer viável a economia, o Senhor nos convida, também, ao risco de entregar aos outros o que somos e temos.

Quantos pães tendes? O Senhor quer que revejamos nossos guardados para pormos em comum o que recebemos e acumulamos. Trata-se de oferecer nosso dinheiro, nossa profissão, nossas qualidades para que os outros matem sua fome.

Freqüentemente, como nação, vamos mendigar em outras partes do mundo para resolver nossos problemas. Talvez tenhamos de fazê-lo. Mas, primeiro, temos de nos perguntar quantos pães temos para partilhar.... Talvez nos fiquemos surpresos vendo que, apesar de nossa pobreza, nos sobram várias cestas.

Porque o Senhor necessita de nós, ele volta a nos perguntar: Quantos pães tendes? É hora de revisar nossos teres e haveres.
Fernando Montes,
SJtrad. R. Paiva, SJ

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