sábado, 7 de fevereiro de 2009

Moção aprovada no 9º ENPJ

Os jovens que participam do 9o Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ), em Natal aprovaram a “Moção de solidariedade aos profetas e mártires das causas do Reino”. Na moção, os jovens lembram os bispos do Norte, ameaçados de morte; as 300 crianças mortas, no ano passado, na Santa Casa de Misericórdia de Belém, os quatro anos de morte da Ir. Dorothy Stang. Além disso, prestam solidariedade a dom Cappio e a dom Pedro Casaldáliga. Ao mesmo tempo, eles denunciam a violência que ocorre na Amazônia. “A Amazônia vem sendo destruída e marcada por grandes projetos, violência e assassinatos, desmatamento e trabalho escravo. Nos últimos vinte anos, somente no estado do Pará, foram assassinadas mais de 800 lideranças em conflitos de terra, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra”, afirmam os jovens.

Moção de solidariedade aos profetas e mártires das causas do Reino

Nós, jovens participantes do IX Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, reunidos em Natal-RN, nos dias 11 a 18 de janeiro de 2009, expressamos nossa solidariedade aos religiosos ameaçados de morte do Regional Norte II, Dom E rwin Kraütler (bispo da Prelaxia do Xingu-PA), Dom Luiz Azcona (bispo da Prelazia de Marajó-PA) e Dom Flávio Giovenale (bispo da Diocese de Abaetetuba-PA), Frei Henri des Roziers (da Comissão Pastoral da Terra, Xinguara-PA) e Pe. José Amaro Lopes (Comissão Pastoral da Terra do Xingu, Anapu-PA). Esses religiosos enfrentam fortes ameaças por terem denunciado a violação dos direitos humanos na Amazônia, a exploração sexual de crianças e adolescentes, o tráfico humano, o narcotráfico, os grandes projetos (como o complexo hidroelétrico de Belo Monte, no Xingu, e a companhia Vale do Rio Doce), e os assassinatos decorrentes dos conflitos no campo e na cidade. Prestamos solidariedade, ainda, aos camponeses do Norte, que também são afetados diretamente pelo modelo político-econômico vigente em nosso país. A Amazônia vem sendo destruída e marcada por grandes projetos, violência e assassinatos, desmatamento e trabalho escravo. Nos últimos vinte anos, somente no estado do Pará, foram assassinadas mais de 800 lideranças em conflitos de terra, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra. Denunciamos os crimes que a Vale, antiga Companhia Vale do Rio Doce, vem fazendo em terras paraenses, explorando de forma violenta e opressora nosso povo e nosso chão. A grande causa das ameaças contra os religiosos é, portanto, o fato de se colocarem contra o modelo de política econômica capitalista para a Amazônia, que não leva em consideração a vida dos povos Amazônidas e suas culturas. São projetos determ inados de cima para baixo, que dizimam culturas e povos.Queremos fazer memória às mais de 300 crianças mortas em 2008 na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, devido à ausência covarde do Estado, que não leva em consideração a vida daqueles e daquelas que não têm voz nem vez. Manifestamos nossa solidariedade, ainda, aos mártires Amazônidas que, profeticamente, se tornaram um marco referencial para nossa caminhada e nossa luta, recordando, especialmente, os quatro anos do assassinato de Ir. Dorothy Stang, em Anapu-PA, a serem celebrados no próximo dia 12 de fevereiro. Igualmente, fazemos memória ao profetismo de Dom Luiz Cappio, bispo de Barra-BA, cujo testemunho de santidade e de incondicional amor aos pobres e sofredores o leva a uma infindável luta contra a transposição e morte do rio São Francisco, chegando, mesmo, a oferecer a própria a vida. Continua sendo uma referência para nós também o profetismo revolucionário de Dom Pedro Casaldáliga, nas águas do Araguaia. Inspirado no evangelho de Jesus Cristo e fiel à Igreja, ele sempre se contrapôs à política do capital, do agronegócio e da monocultura em nosso país. Animem-nos e fortaleçam-nos suas palavras: "Malditas sejam todas as cercas!Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e de amar!Malditas sejam todas as leis, amanhadas por umas poucas mãos, para ampararem cercas e bois e fazerem da terra escrava e escravos os homens!"(D. Pedro Casaldáliga)
Natal-RN, 17 de janeiro de 2009, 9o Encontro Nacional da Pastoral da Juventude

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