quinta-feira, 9 de julho de 2009

A VULNERABILIDADE SOCIAL DOS JOVENS E O CASO DO CIP

Por Gláucio Mota

Complemento à matéria do Jornal da Manhã (Criciúma) desta quinta-feira, dia 09/07, página 14, relacionada ao Centro de Internamento Provisório

Vulnerabilidade social

A sociedade tem construído um modelo de jovem carregado de mitos e preconceitos impulsionados pelo conflito de gerações e pela exclusão social. Tais dilemas originam novas configurações no mundo do trabalho e da produção delimitando novas temporalidades juvenis. As juventudes, a partir de uma visão contemporânea e acadêmica, são entendidas como “produto” temporal e sócio-cultural pela qual se estabelece a base de signos e criações simbólicas que determinam os comportamentos e as atitudes das sociedades. Ao mesmo tempo, é uma categoria social caracterizada por condições e situações juvenis adversas, que busca afirmar sua identidade catalisando os valores sociais e culturais que o mundo lhes dispõe. Contudo, não podemos homogeneizar as juventudes como se todos fossem iguais, pois numa mesma cidade encontramos jovens que postergam seus compromissos adultos (independência econômica, trabalho, casamento e outros) para depois dos 30 anos e outros que, muito jovens (12, 13 anos), precisam trabalhar, ou criar meios de sobrevivência, abreviando sua juventude.

A realidade dos jovens pobres é marcada pela vulnerabilidade social que os empurra para as situações de violência e de pobreza. Esses jovens acabam sendo culpados, principalmente o jovem negro e pobre, por esses problemas. Aos jovens das classes média e alta é oportunizado uma moratória social que lhes proporciona uma temporalidade diferenciada do jovem das classes populares. O jovem pobre pode ter o mesmo tempo livre que dispõe o jovem das classes economicamente privilegiadas, mas que não é criado para sua formação e lazer, e sim pela falta de oportunidades. O tempo livre do jovem das classes desfavorecidas é ocupado pelo empobrecimento e pelo crime que são geradores de violência. Nesse sentido não podemos somente culpá-los pelos problemas sociais, pois a maior parte dessa culpa está na ineficiência das instituições sociais (família, escola e outras) e do Estado em prover a inclusão social e a dignidade das juventudes.

Possibilidades e ações

No caso do Centro de Internamento Provisório da cidade de Criciúma, mesmo sem fazer um estudo de caso, é possível afirmar que a grande maioria dos internos, senão todos, estão nesta situação pelo estado de vulnerabilidade social que viveram e que vivem, deixando-os vulneráveis para que os agentes do crime os aliciem.

Precisamos rever, antes de pensar mudanças no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, se as políticas públicas e sociais estão dando conta de reverter os quadros de vulnerabilidade social que mantêm milhares de famílias abaixo da linha de pobreza e de miséria. Quando priorizarmos e efetivarmos essas políticas possivelmente não precisará discutir tanto essas questões de violência entre os jovens e a sociedade.

Quando se fala em políticas públicas para as juventudes estamos falando em geração de emprego e renda para suas famílias, acesso a uma educação cidadã de qualidade e a inclusão social dos jovens nas instâncias políticas e decisórias para que passem a ser atores sociais e não meros coadjuvantes. As políticas de juventude precisam ser sejam gestadas pelos jovens e não somente por adultos.

Para isso é preciso criar canais de interlocução entre os jovens e o poder público, como por exemplo, o Conselho Municipal da Juventude e outros espaços de participação social.

A sociedade em geral precisa desafiar-se em escutar os apelos dos jovens, sobretudo os em situação de vulnerabilidade social, para construir novos paradigmas em relação aos jovens lhes dando uma perspectiva de futuro para que façam a opção pela vida e não pelo crime.

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