segunda-feira, 2 de novembro de 2009

OS SANTOS E OS MORTOS

A Igreja Católica coloca estrategicamente em seu calendário litúrgico a Festa de Todos os Santos seguida do Dia de Finados, 1º. e 2º. de novembro, respectivamente, mês em que também celebramos o Tempo do Advento, o tempo de espera quando vivenciamos a Encarnação do Filho de Deus. Ora, com dois mil anos de caminhada, a Igreja carrega muita riqueza em termos de história e tradição. No Credo, um “resumo” da doutrina cristã, recitamos a crença na “comunhão dos santos”, assim como, “na ressurreição da carne”. O termo “santos”, na Sagrada Escritura, tem a conotação de “separados” - historicamente aquele Povo de Deus que abjurou os deuses para honrar e adorar apenas o Deus único - Criador e Pai - rico em misericórdia. Assim, quando trazemos à memória nossos “mortos” sabemos que não estão mortos coisa nenhuma, mas que assumiram a plenitude da Vida – a Vida em plenitude junto à face de Deus. Vale a pena aqui recordar o texto composto por santo Agostinho, por ocasião da morte de sua mãe, santa Mônica, mulher piedosa que, pelo exemplo e oração, converteu o filho e o marido:"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, continuo sendo. Dêem- me o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas e eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste. Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou. O fio não foi cortado. Porque eu estarei fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de sua vista? Eu não estou longe, apenas do outro lado do caminho. Você que aí ficou siga em frente! A vida continua linda e bela como sempre foi".

Os nossos falecidos terminaram a sua peregrinação terrestre e partiram para a casa definitiva do Pai. Nas palavras de Victor Hugo; “a alma tem sede do Absoluto, e o Absoluto não é deste mundo (...) A alma que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz!” Assim, a celebração de Finados não nos deve trazer um sentimento de tristeza, pois suscita lembranças e saudades dos nossos entes queridos já falecidos, mas uma celebração de esperança e confiança na bondade, no perdão e no amor de Deus. Até que o Sol brilhe, acendamos uma vela na escuridão. Para onde formos, levamos tudo e especialmente o nosso coração. Refletindo com o poeta: na vida, tudo depende do ponto de vista que tomamos. Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos; outras há que se alegram por saber que os espinhos têm rosas! Uns lastimam a “perda” de um ente querido; outros louvam a Deus pela oportunidade da convivência com esta pessoa que amamos. Nós nascemos chorando, e todos ao nosso redor estavam sorrindo. Vivamos de maneira que quando chegue a hora da nossa morte, nós estejamos sorrindo e os que nos rodeiam, chorando. Que deixemos o mundo um pouco melhor do que o encontramos! Amém!

Diácono José Antonio Jorge, doutor em Agronomia e Mestre em Teologia, autor doDicionário Informativo Bíblico, Teológico e Litúrgico e membro da Comissão Arquidiocesana de Animação Missionária.
joseajorge@hotmail.com

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