quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A grave situação de violência e o extermínio da juventude brasileira



Por Maurício Piccin

Representando - segundo o IBGE – uma população de 51,3 milhões de pessoas de 15 a 29 anos em 2010, a juventude brasileira é a principal vítima da violência e do extermínio nos dias atuais. É por isso que as Pastorais da Juventude contróem a campanha "Chega de Violência e Extermínio de Jovens".

O extermínio da juventude é profundamente marcado pelo preconceito social e, principalmente, racial. A cada jovem branco vítima de homicídio, dois jovens negros são mortos (IPEA, 2009, p 32).

Segundo os números apresentados pelo IBGE e pelo SIM/MS (Sistema de Informações sobre Mortalidades/ Ministério da Saúde) a mortalidade de jovens de 15 a 29 anos aumentou entre 1980 a 1991. Contou com uma ligeira queda em 2006, mas ainda mantém números alarmantes.

No ano de 2006, as causas externas de morte (homicídios e acidentes) da população de 15 a 29 anos representou 77% do total. Dessas, 56,8% foram devido a homicídios e apenas 24,1% relativos a acidentes com transporte (IPEA, 2009, p 84).

Este quadro de violência e extermínio parece estar intimamente ligado a uma situação social calamitosa desta parcela da população. Segundo dados do PNAD e IBGE 2007, 53,7% da juventude vivem em famílias que possuem renda per capita entre meio e dois salários mínimos, 30,6% vivem em famílias com renda per capita com até meio salário mínimo. Além disso, o difícil acesso e permanência na escola, a dificuldade de conseguir um emprego, as condições precárias de moradia (48,7% dos jovens das regiões metropolitanas vivem em condições de moradia inadequadas fisicamente), a impossibilidade do acesso a mobilidade urbana, a cultura, esporte e lazer compõem um cenário trágico para a juventude.

Além disso, a própria ação policial parece estar focada na juventude. A concepção sobre a qual majoritariamente os aparatos de segurança pública estão organizados parece, por vezes, aumentar a probabilidade de que os jovens cometam ou tornem a cometer crimes. Os jovens do sexo masculino tendem a despertar a suspeita policial. 59,1% dos jovens de 15 a 29 anos dizem ter sofrido intimidação ou ameaça. Por isso, 55,5% deles não confiam na polícia (Dick & Ferreira, 2009).

Entretanto, este cenário de violência direta não é a única forma de violência que a juventude sofre. Têm ainda a violência indireta como ações coercitivas muito comuns para a juventude, já que a sociedade capitalista a coloca numa situação de subalternidade. Além disso, a violência simbólica onde, muitas vezes, as relações de poder interpessoais ou institucionais cerceiam a livre ação, pensamento e consciência da juventude a qual é tutelada e impedida de se expressar.

Para combater todos estes tipos de violência e o dramático e insuportável extermínio da juventude, as Pastorais da Juventude (PJ, PJE, PJR e PJMP) estão construindo uma grande Campanha Nacional contra a Violência e Extermínio da Juventude como o intuito de denunciar essa situação calamitosa que vive a juventude brasileira.

Além de reforçar estas iniciativas, é preciso aprofundar no Brasil a compreensão de que este segmento da sociedade é portador de direitos e, portanto, necessita de pesadas políticas públicas que lhes garantam educação de qualidade, trabalho decente, saúde, moradia, cultura, lazer, inclusão digital, etc. Ainda, políticas que reforcem as experiências em andamento como o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) que desenvolve ações de proteção de jovens em situação de vulnerabilidade e lança as bases para que a juventude não seja entendida pela segurança pública como o segmento “problema” e, portanto, como simples causadora de violência, são um importante passo para revertermos esta situação.

Contudo, é com muita mobilização da própria juventude, em luta pelos seus direitos, é que venceremos a violência e extermínio que, além do componente social possui um forte componente racial e assola milhares de jovens a cada dia. Viva a campanha das Pastorais da Juventude!

2 comentários:

  1. É cada vez mais preocupantes as perdas de jovens no nosso Brasil...
    Gostei desta postagem,é indispensável para a comunidade todos os tipos desse manifesto.
    Abraços Cris.

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  2. Toda a matéria é válida e concreta e adiciono mais algumas vertentes: a sociedade tem mudado de forma drástica e a desagregação familiar colabora com as mudanças. O jovem atual quer se divertir mais e consumo de Álcool e drogas começa de forma precoce e não situa apenas na classe dos menos favorecidos. Tem aumentado demais o número de criminosos de classes sociais mais favorecidas, notadamente classe média. Ligue uma TV e preste atenção no que os comerciais oferecem aos jovens (principalmente cerveja, celular, música em excesso e o sexo está presente 100 por cento). Filmes e novelas só mostram violência, os jornais só mostram violência, a paciência é um artigo em falta e a moda é gritar, berrar e extravasar. A espiritualidade está sendo sugada pelo dinheiro e para quem vende, o produto pode ser danoso para as pessoas mas o que importa é o lucro e não as pessoas. Então para resolver o problema da violência com relação aos jovens é necessário uma mudança de comportamento de toda a sociedade. Eu começaria com a censura que a mídia tanto protesta e a utilização dela como mecanismo de reestruturação familiar e...punir rigorosamente quem não tiver condições de recuperação.

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