sexta-feira, 30 de abril de 2010

igreja/comunidade a caminho



“E Jesus reuniu um grupo ao seu redor e saiu a caminhar...” para muitos hoje, esta frase nada expõe, ou simplesmente representa uma frase poética, inspirada nas mensagens bíblicas, Mais mesmo assim nada esclarece sobre as opções de Jesus.

Reunir se, hoje se torna complicado, e nos que temos como opção esta frase sabemos disso. Vários intelectuais, cientistas sociais que tentam interpretar os tempos, e em grandes numero o mundo juvenil. Afirma-nos que, o mundo pos-moderno apresenta estes sintomas desgastantes em nossa juventude: descompromisso, individualismo, imediatismo... Sim, os cientistas não estão errados, é isso mesmo. E como podemos lidar com esta realidade? É uma pergunta que mexe no intelecto e no sentimento de muitos.

Isso se mostra como um grande problema para nos, que optamos, por uma igreja comunidade. Ser esta igreja comunidade é “remar contra a maré”. Remar contra a maré, não é negar a necessidade de acompanhar os tempos. Por acompanhar os tempos, é que acreditamos ainda, em uma proposta perturbadora evangelicamente falando. Pois percebemos as mazelas de nossos tempos, e sabemos ler os sinais destes tempos. E isso não se da por simples mensagem incompreensível do alem. Para Interpretamos os tempos, usarmos uma metodologia que encara a realidade, e nos leva a duelar esta realidade com a proposta de Jesus cristo, que nos envia em missão. É este modo de ver a situação do mundo, que nos atrai a sermos profetas anunciando e denunciando as contradições de um mundo em crise.

Este modo de viver em nossos dias, não perturba a todos. Uma grande parcela de nossa sociedade, de nossas igrejas, acredita e usam estes sintomas da pos-mordenidade como método de chegar ate Deus, este método, não “rema contra a maré” e sim energiza a necessidade da salvação individualista, do milagre agora da cultura hedonista, sem se colocar em reciprocidade com o outro.

Optar por esta igreja comunidade, nos compromete a sermos profetas e como profetas sairmos a caminhar. É necessário sair de si e ir ao encontro do outro. Mais surge duvidas e o questionamento de quem é o outro? Se acreditarmos que constituímos uma família humana em princípios cristãos. Podemos, portanto entender o outro como continuidade do eu. É nesta continuidade que estamos em sintonia com nossas dores e alegrias. Preservando as diferenças identitárias de cada um, perceber que somos uma constituição social influenciável e influenciada. Somos membros de um grupo com diferentes dons. A exemplo dos discípulos que foram convidados a estar em grupo com Jesus e aceitaram.

O modelo de igreja comunidade é o chamado ao retorno de uma pratica característica de Jesus. Viver em grupos de pessoas que se reconhecem, e mais que se conhecer, é partilham o pão e os carismas, nas igualdades e nas diferenças.
Este modelo de igreja comunidade, que caminha a passos lentos, respeitando o processo de crescimento pessoal de cada membro do grupo/comunidade é o modelo que nos faz “remar contra a maré”.

Mais este molde de igreja/comunidade a caminho, acaba se tornando questionáveis por autoridades religiosas e por defensores da ordem vigentes. Isso é compreensível que aconteça, pois como Jesus sofreu perseguição por viver este modelo de igreja, e por questionar o sistema vigorante, também nos o somos. Pois colocamos o atual modelo de sociedade em ruínas, por inverter a lógica do poder. Este modelo libertador de seguidores/as de Jesus propõe uma mudança paradigmática, onde os excluídos, aqueles que são os escolhidos de cristo, assumem a direção da vivencia planetária.

Como podemos viver este modelo de igreja/comunidade, sermos missionários a caminho do outro? Como podemos entender os jovens, que desistem de viver em grupo?Como podemos “remar contra a maré”? O que fazer? Como fazer?
São perguntas que nos atormentam mais que devemos refletir. E mais que refletir assumir, este modelo de igreja sempre a caminho. Hoje nossas lideranças sejam elas leigas e eclesiais, desistem em grande parte de caminhar, abandonam este projeto por acomodação de um modelo mais pacato, ou ate mesmo por terem abandonado a capacidade de sonhar com este projeto de Reino.

Os primeiros passos a ser dado é o caminhar, sair de si, ir à busca, voltar ao primeiro amor. Acreditar e colocar em pratica os sonhos da construção da civilização do amor. Uma civilização não utópica (pois ela é realidade), uma civilização concreta nas experiências/vivencias das comunidades eclesiais de base.

Então vamos viver em grupo com Jesus cristo e sair a caminhar?

Rodrigo szymanski
30/04/10

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