sexta-feira, 2 de abril de 2010

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

HISTÓRIA ANTIGA QUE ESCUTEI DOS ANTIGOS

Ele entrou na cidade montado num burrinho...

Sem coroa, sem cetro, sem algum poder real.

Mantos, ramos e palmeiras eram vistos pelo caminho, até as pedras gritaram e as crianças aplaudiram.

As mulheres e os homens, desde a Galiléia acompanhavam, os inimigos estavam vigiando para capturá-lo e o fariam em breve e se cumpriria a profecia.

No banquete da despedida Ele se transformou em vinho e em pão, alimentos daquela época, daquela nação:

EIS O MEU SANGUE, EIS O MEU CORPO, FAZEI ISSO EM MEMÓRIA DE MIM!

Abaixou-se, de um a um, lavou os pés, enxugou e beijou.

No final insistiu que o que tinham visto se repetisse sempre, pois não estariam com Ele se não fizessem o que foi ensinado.

Mas o traidor se afastou do grupo e dos inimigos se aproximou,vendeu a sua salvação por 30 moedas e por um beijo no carpinteiro, e junto com soldados foram atrás do tumultuador.

Ele no jardim com os demais companheiros que dormiam

enquanto rezava e conversava com o Pai que nada dizia, insistia para que os companheiros se mantivessem atentos aos inimigos da luz,mas chegava a sua hora e eles estavam no jardim... o traidor com um beijo o entregou.

Seus companheiros fugiram...como ovelhas sem pastor...

foi levado, questionado, insultado e maltratado...um dos seus companheiros o negará por 3 vezes antes do galo cantar e o traidor devolverá as 30 moedas e se enforcará.

O procurador romano tentará soltá-lo não vendo culpa nele mas o ódio das elites era grande demais.

Mas o que é a verdade?

Bateram muito nele, caçoaram muito dele, presentearam-no com um manto e com uma coroa de espinhos, no final o procurador romano lavou suas mãos e o mandou crucificar.

Ele com uma cruz nos braços seguiu pelos caminhos que antes havia anunciado a paz, a fraternidade e a esperança, apanhando e tendo que continuar, viu que mulheres choravam a cada tropeço e a cada caída.

Foi despido de suas vestes, dividiram-nas num jogo de sorte.

Cuspiram nele, zombaram dele, não creram nele, mesmo assimpediu para que o Pai os perdoasse, pois não sabiam o que faziam.

Pediu um pouco de água, lhe deram vinagre.

Com falta de ar veio a falecer pregado ao madeiro.

Um soldado rasgou-lhe o seu lado direito e a cortina do Templo rasgou de cima a baixo.

As mulheres que ali ficaram choravam enquanto o tiravam da cruz.

Sua mãe o apoiou em seu colo e tocando-lhe os cabelos ensaguentados o beijou, e o puxou para si, dando um grande grito de dor.

Limparam-lhe o corpo, o perfumaram com mirra e o embrulharam em lençóis...colocaram-no numa sepultura novinha...rolaram a pedra e selaram a entrada.

Os pássaros ainda não haviam cantado no e as mulheres voltaram ao túmulo para perfumarem o Mestre; encontraram dois homens com roupas muito brancas e eles diziam que aquele que procuravam não estava mais ali mas que havia ressuscitado e as esperavam com o resto do grupo na Galiléia.

Elas voltaram e contaram ao grupo, mas estes não acreditaram. Dois deles correram até o túmulo, viram tudo como elas haviam dito e voltaram assustados.

Depois chegou mais um casal, que haviam ido para Emaús e agora retornavam dizendo que Ele havia aparecido para eles, relembrado toda a história de Israel e que aquilo queimava o coração deles, mas na fração do pão o reconheceram e ele sumiu, havia ido para dentro deles e os dois voltaram para anunciar a novidade.

Um deles não estava presente quando Ele apareceu

A PAZ ESTEJA COM VOCÊS!

Por isso só acreditaria quando pudesse ver e tocar as feridas nas suas mãos e no seu lado com suas próprias mãos e

isso não demorou acontecer...outros acreditaram sem precisarem ver e sem precisarem tocar.

Por mais alguns dias Ele continuou a preparar os seus amigos e amigas para os desafios que iriam enfrentar frente ao povo, frente aos líderes, frente ao Império.

E foi desaparecendo no imenso céu azul na frente dos olhos deles, na frente dos olhos delas.

Mas não ficaram ali parados...não ficaram.

Hoje recontando o que ouvi dos antigos entendi que quando temos um compromisso com a defesa da vida, a morte não é forte o suficiente para nos enfrentar.

Emerson Sbardelotti

Estudante do Curso Superior de Teologia do Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

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