quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os jovens e Cristo, por Dom Orani João Tempesta

Os jovens e Cristo

Dom Orani João Tempesta

No Domingo das Missões, quando somos chamados a abrir a nossa vida ao apostolado animado para pregar o Evangelho até os confins da terra, comemoramos neste ano, no Brasil, o Dia Nacional da Juventude. O Papa recorda-nos que a “construção da comunhão eclesial é a chave da missão”, e a nossa Conferência Episcopal mostra que é importante a “Missão e Partilha” e em especial para a Juventude que, ao comemorar 25 anos do DNJ, deseja continuar lutando contra a violência e o extermínio dos jovens: “juventude, muita reza, muita luta, muita festa em marcha contra a violência”.

O clima de trabalho missionário com a juventude, principalmente através do “Setor Juventude” se direciona também para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no próximo ano em Madri, na Espanha, para que, com esse evento, possam os jovens viver «Enraizados e edificados n'Ele... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7).

Nesse mundo marcado pela pós-modernidade, vê-se que os jovens de hoje buscam para as suas vidas modelos e referências. Essa busca é uma grande oportunidade de colocá-los em contato com o modelo supremo, Jesus Cristo. A Igreja no Brasil está vivendo mais um Dia Nacional da Juventude.

O documento de nossa Conferência Episcopal sobre a “Evangelização da Juventude” afirma que, com criatividade pastoral, o importante é apresentar Jesus Cristo dentro do contexto em que o jovem vive hoje e como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas. Um Jesus que caminha com o jovem, como caminhava com os discípulos de Emaús, escutando, dialogando e orientando.

Esse documento lança luzes sobre o contexto de incertezas e dificuldades em que vive o jovem hoje no Brasil. O recenseamento geral da população feito em 2000 revelava que no Brasil havia 34 milhões de jovens, considerando a faixa etária entre 15 e 24 anos. O número se elevava a 47 milhões de jovens se se acrescentasse também a faixa dos 25 aos 30 anos de idade.

Segundo afirma esse estudo, a maioria dos 34 milhões de jovens brasileiros representa um dos segmentos populacionais mais fortemente atingidos pelos mecanismos de exclusão social. O Censo de 2000 revelava que a maioria dos jovens brasileiros, 56,7%, vivia em famílias que tinham uma renda per capita mensal menor do que um salário mínimo (pouco menos de 170 dólares americanos hoje). Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que o desemprego atinge cerca de 20% dos jovens.

O texto da CNBB afirma que, entre os principais problemas que os jovens enfrentam, hoje, estão a disparidade de renda, o acesso restrito à educação de qualidade e frágeis condições para a permanência nos sistemas escolares, o desemprego e a inserção no mercado de trabalho. Há ainda o envolvimento com drogas lícitas (álcool, tabaco) e ilícitas, a gravidez na adolescência, a violência no campo e na cidade, a intensa migração, as mortes por causas externas (homicídio, acidentes de trânsito e suicídio), o limitado acesso às atividades esportivas, lúdicas e culturais.

Diante de todo esse quadro de adversidades é que propomos a formação do jovem que seja discípulo de Jesus, pois o discípulo se compromete com coerência de vida e ação na transformação dos sistemas políticos, econômicos, trabalhistas, culturais e sociais que mantêm na miséria espiritual e material milhões de pessoas em nosso continente.

Neste ano, o Dia Nacional da Juventude, como me referi acima, comemora a sua vigésima quinta edição com o tema: “Juventude: muita reza, muita luta, muita festa, em marcha contra a violência”. Neste contexto jubilar, queremos louvar e agradecer a Deus por tantos quantos jovens se empenham pelo anúncio do Evangelho. Que o rosto jovem e bonito da Igreja, pelos grupos de jovens, seja cada vez mais motivado para sua atuação, formando vidas que são doadas para a construção do Reino de Deus, na construção de ações concretas em prol da defesa dos direitos da juventude, levando os jovens a serem verdadeiros discípulos-missionários de Jesus Cristo. Jovem que reza, jovem que trabalha, jovem que marcha sempre em favor do Evangelho da Vida. O Papa Bento XVI, na audiência para o Regional Leste 1, ao recordar esse rosto, nos chamou a um trabalho ainda mais eficaz com a Juventude.

O jovem é convidado por Jesus, assim como todo cristão, a ser discípulo. O convite é pessoal: Vem e segue-me (Lc 18,22). E quem se torna discípulo de Jesus transforma-se em portador de sua mensagem, ou seja, em missionário de seu amor. O encontro com Jesus não é algo abstrato. É necessário mostrar aos jovens os lugares e os momentos concretos nos quais é possível encontrá-Lo, como a Sagrada Escritura, a Liturgia, e, sobretudo, a Eucaristia; a comunidade reunida em seu nome, os irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados, nos quais Jesus Cristo está misteriosamente presente.

Por isso, no âmbito de nossa Arquidiocese, quero convidar todos os jovens a se entusiasmarem e enamorarem de Jesus Cristo, alimentados pelo Evangelho e, tendo como conseqüência, a ação apostólica buscando proclamar Jesus através da vida empenhada pelo Reino de Deus.
Que a juventude seja a aurora e a esperança de uma Igreja que é jovem, porque Jesus é jovem e coloca o seu vigor em favor de nossas vidas e da animação de nosso empenho missionário! Jesus, sempre jovem, nos chama e convoca para segui-Lo e testemunhá-Lo. Jovem, vinde e vede!

 

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