sexta-feira, 11 de março de 2011

Sua ação faz diferença? por Rogério Oliveira

Há pessoas de ação! E como! Estão sempre correndo de um lado para o outro. Não param. Conversam com um, estão debatendo com outra, ligam para fulano, marcam encontro com beltrana. Estão sempre na ativa. Enquanto fazem uma coisa, já estão pensando em outras duas ou três que são necessárias. Mas e aí? Qual o resultado de tanta correria? Que diferença isso tudo faz?

Conheço muita gente de ação na PJ. Muita gente assim nas comunidades em que passei. Gente que faz e que fez muita coisa. Gente querida e gente amável. Gente sempre presente e gente atuante. Mas qual o fruto de tudo isso? E, se houve fruto, quem se beneficiou deles?
Dizem que a gente vive a lógica dos resultados hoje em dia. Só é bom o que produz algo palpável e que possa ser medido, mensurado e que traga benefícios. Será que é assim mesmo? Em todos os ambientes?

Eu trago esta “lógica do mercado” neste texto como pura provocação. Aliás, pensei este texto como um cutucão mesmo. Primeiro porque sei que muitos pejoteiros são extremamente críticos a qualquer ideia que lembre uma lógica mercadológica ou capitalista. E deixamos de aproveitar ou filtrar boas ideias só porque elas já foram utilizadas “para o mal” ou corrompidas.

Quando eu era criança, um professor me ensinou que para entender a importância de alguma coisa, bastava pensar no mundo se aquela coisa não existisse. O que seria de um mundo sem a PJ? Para muitos não fariam diferença. Para você que é pejoteiro e que lê este texto, acredito que faria muita falta, como a mim também faria. Mas não estamos tratando de nós, porque não fazemos pastoral para a gente, não é?

No fundo, a provocação é essa mesma: o que nós fazemos, de fato, faz alguma diferença? Qual o resultado da nossa ação pastoral? Há frutos desta ação? E, se há, quem os colhe?

Não há resposta pronta se a nossa ação faz ou não diferença, mas há alguns sinais que podemos perceber naquilo que fazemos e algumas perguntas que podemos responder para ajudar a iluminar esta questão.

Quem almeja “subir posições” nas estruturas pastorais corre o risco de não deixar bons frutos pelo caminho. É o caso do sujeito que é coordenador da PJ na paróquia dele, mas que quer ir pra equipe diocesana, ou de lá para a sub região ou para o regional. Na cabeça dele, são posições de destaque e status, não de serviço e disponibilidade. Quem pensa assim esquece que a estrutura existe para servir a missão e não o contrário

Quem não busca seguir os passos de Jesus de Nazaré, no anúncio do Reino, na companhia da juventude, em especial a menos valorizada, na denúncia da cultura de morte, na valorização da vida, na partilha e celebração de vivência em comunidade e na atuação em diversos espaços sociais, sendo engajados e comprometidos, não dá um exemplo bom para futuras gerações. Não deve fazer tanta diferença assim no fim das contas.

Quem acompanha a juventude e trabalha com ela a formação integral, faz revisão de vida e prática, ajuda na elaboração de seus projetos de vida, faz uma diferença enorme na caminhada destes jovens.

E para fugir da lógica do mercado, onde somente se cobram resultados mensuráveis, há de se pensar noutra provocação: a diferença que fazemos é justamente sermos diferentes. Ser diferente não é algo que se possa medir. Mas é justamente o que se pede de um povo realmente cristão. Se um jovem pejoteiro é igual a qualquer outro jovem, sob qualquer aspecto que se observe, será que ele realmente pode fazer a diferença?

É preciso estar no meio da juventude sim, claro, sem dúvida. Mas como disse Jesus, como fermento. Querem nos tornar massa, somente. Não podemos nos conformar em ser massa. Uma pitada de fermento, umas boas batidas e mexidas, com um tempinho para descansar, fazem toda a diferença!


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Companheiro da Débora e pai do Toninho. Filho do Seu João e da Dona Maria. Jornalista por formação, escritor e assessor da Pastoral da Juventude. Salesiano Cooperador. @rogeroli

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