domingo, 24 de abril de 2011

Onde procurar Àquele que vive?



José Antonio Pagola*


A fé em Jesus, o Ressuscitado do Pai, não brotou de maneira natural e espontânea no coração dos discípulos. Antes de encontrar-se com Ele, cheio de vida, os evangelistas falam de sua desorientação, de sua busca em torno do sepulcro, dos seus questionamentos e de suas incertezas.
Maria Madalena é o melhor protótipo do que acontece provavelmente com todos. Segundo o relato de João, ela procura o crucificado em meio às trevas, “quando ainda estava escuro”. Como é natural, busca-o “no sepulcro”. Ela ainda não sabe que a morte foi vencida. Por isso, o vazio do sepulcro a deixa desconsolada. Sem Jesus, sente-se perdida.
Os outros evangelistas recolhem outra tradição que descreve a busca de todo o grupo de mulheres. Não podem esquecer o Mestre que as acolheu como discípulas: o seu amor leva elas até o sepulcro. Não encontram Jesus ali, mas escutam a mensagem que lhes indica para onde devem orientar a sua busca. “Por que buscais entre os mortos Aquele que vive? Ele não está aqui: ressuscitou”.
A no Cristo Ressuscitado tão pouco nasce hoje em nós de uma maneira espontânea, somente porque temos escutado isso das catequistas e dos pregadores desde que éramos crianças. Para abrir-nos à fé na ressurreição de Jesus, temos que fazer o nosso próprio percurso. É decisivo não esquecer Jesus, amá-lo com paixão e procura-lo com todas as nossas forças, mas não no mundo dos mortos. Àquele que vive nós temos que procura-lo onde há vida.
Se quisermos encontrar-nos com Cristo ressuscitado, cheio de vida e de força criadora; temos que procura-lo não numa religião morta, reduzida ao cumprimento e à observância externa de leis e de normas, mas lá onde se vive segundo o Espírito de Jesus, acolhido com fé, com amor e com responsabilidade pelos seus seguidores.
Temos que procurar Jesus não entre os cristãos divididos e enfrentados em lutas estéreis, vazias de amor a Jesus e de paixão pelo Evangelho, mas lá aonde nós vamos construindo comunidades que colocam Cristo no centro delas porque sabem que “onde dois ou três estiverem reunidos no seu Nome, Ele está ali”.
Àquele que vive nós não poderemos encontrá-lo numa fé estancada e rotineira, desgastada por todo tipo de tópicos e de fórmulas vazias de experiência, mas procurando uma qualidade nova em nossa relação com Ele e em nossa identificação com o seu projeto. Um Jesus apagado e inerte é um “Jesus morto”. Não é o Cristo vivo, o Ressuscitado pelo Pai. Não Aquele que vive e que faz viver.

* Sacerdote e téologo espanhol

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