domingo, 24 de abril de 2011

Pedaços de Ressurreição



Frei Petrônio de Miranda, O.Carm
Padre Carmelita da Ordem do Carmo. Estudante de Jornalismo da Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, de São Paulo)
Fonte: Adital

Convento do Carmo, São Paulo, SP. 18 de abril-2011.

Diante dos inúmeros casos de violência onde vidas são ceifadas no corre core das grandes metrópoles e no abandono da zona rural, muitas vezes esquecida pelos poderes públicos. 

Diante da constatação da destruição do planeta e da sua biodiversidade em nome da modernidade, do crescimento populacional e da produção das grandes indústrias nacionais e multinacionais.

Diante de uma religião, muitas vezes farisaica, ultrapassada e fanática onde os dogmas, regras e o fanatismo predominam transformando-a em trampolim para homens e mulheres em constante fuga da realidade aprisionados e aprisionadas em verdadeiros castelos medievais revestidos com o nome de seminários, conventos, mosteiros ou muros paroquiais.

Diante de alguns políticos inescrupulosos, corruptos e assassinos deixando de lado a política do bem comum para construir castelos e império da comunicação, tendo como principal meta manipular o povo, seja no rádio, na TV, nos jornais ou na internet com o único objetivo de perpetuar no poder.
Diante da grande mídia na eterna luta pela falsa liberdade de expressão enquanto autodefesa de seus interesses econômicos, ideológicos e políticos, com o único objetivo da construção de seu império e controle social, transformando os leitores e telespectadores em verdadeiros fantoches. 

Diante de homens e mulheres que usam da palavra de Deus para condenar grupos ou indivíduos em nome de um falso moralismo ou de uma devoção descomprometida com a vida, fechando os olhos para os 260 gays, travestis e lésbicas assassinados no Brasil em 2010, o trabalho escravo em fazendas de cristão e a total impunidade dos assassinatos de trabalhadores na zona rural e urbana, a exemplo de Unaí-MG.

Diante do alto índice de jovens usuários de drogas, das cracolândias das grandes cidades, da violência de alguns policiais ceifando vidas de negros, favelados, pobres e trabalhadores rurais, da vida subumana nos presídios e delegacias, algumas, transformadas em verdadeiros campos de concentração.
Diante do consumismo desenfreando da classe média e média alta, valorizando a vida e as relações a partir das marcas e produtos. Do endeusamento do Shopping Center enquanto templo do poder, do prazer e do ter.

Enfim, diante das noites escuras do medo, da fome, da miséria, da violência, da depressão, do desemprego e do individualismo, é quase impossível perceber os pedaços de ressurreição que perpassam em nosso caminhar e nos motivam a sonhar, enfrentar as marés da vida e não ter medo de construir novas trilhas.


São pedaços de ressurreição presentes em pessoas ou grupos na eterna teimosia do nascer do novo dia. A exemplo dos discípulos de Emaús, (Lc 24, 13-35), estas pessoas são realistas, mas se alegram com a possibilidade de recomeçar e construir uma nova vida a partir de gestos ou conquistas, mesmo sabendo que é necessário caminhar e sujar as mãos na construção do novo dia.

São Pedaços de ressurreição recolhidos dos vasos quebrados na família, no trabalho e na comunidade. Tal reconstrução acontece com o reconhecimento da fragilidade humana e a necessidade de se viver, caminhar e construir relações em grupo.

São pedaços de ressurreição costurados a partir de um gesto ecumênico, sincero e franco diante de questões não apenas religiosas, mas também sociais, políticas, étnicas, sexuais e morais.

São pedaços de ressurreição pintados e retocados a partir da necessidade de estender as mãos para o pobre, a viúva, o órfão, o mendigo, o sem terra, sem teto e sem dignidade enquanto ser humano, porém, amado e respeitado pelo Deus da vida.

Sim, que esta Páscoa nos ajude a encontrar os pedaços de ressurreição quebrados e jogados fora da nossa vida e da vida de grupos, ONGs, associações, sindicatos, conventos, seminários, pastorais, escolas, empresas e repartições publicas, afinal, Jesus Ressuscitou! E nós, temos força e coragem de ressuscitar com Ele?

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