quinta-feira, 21 de julho de 2011

Jovens de SC participam da Romaria dos Mártires na prelazia de São Félix do Araguaia


Ao falar com os/as jovens, Dom Pedro Casaldáliga aconselha: "Sejam fermento, mas lembrem que não adianta fermento sem massa"
No fim de semana, dias 16 e 17, aconteceu em Ribeirão Cascalheira, prelazia de São Félix do Araguaia (MT), a Romaria dos Mártires, cujo tema foi “Testemunhas do Reino”. Realizada a cada cinco anos, o evento latino americano reuniu 5 mil pessoas do Brasil e exterior e celebrou os 40 anos da prelazia de São Félix.
A Romaria é dedicada à memória daqueles que foram mortos defendendo a vida. É um encontro que celebra causas: a indígena, a de negros e negras, mulheres marginalizadas, meninos e meninas de rua, dos operários. Os participantes da caminhada renovam seu compromisso com as lutas pela Vida e pela Justiça.
No sábado (16) foi realizada uma caminhada do centro da cidade até o Santuário dos Mártires, com velas e estandartes de inúmeros homens e mulheres latino-americanos que foram assassinados por causa da luta pela justiça.
No domingo (17) o momento marcante foi a celebração eucarística, que contou com a participação do bispo emérito da prelazia, Dom Pedro Casaldáliga. No encerramento, cercado pelos romeiros e trêmulo, pelo Parkinson, deixou sua mensagem: “O outro mundo possível somos nós. A outra Igreja possível, somos nós”.
A Pastoral da Juventude de Santa Catarina esteve presente com a participação de 11 jovens de diferentes dioceses.


Depoimentos dos/as jovens participantes

“Não se encontram palavras para descrever a mistura dos sentimentos partilhados os dias vividos em Ribeirão Cascalheira MT – o que vivemos foi forte, tocou a experiencia se eternizou.
Que essa chama que motivou tantos a se encontrarem lá nesse final de semana continue ardendo nos corações dessas gentes que insistem em lutar se indignar e até derramar sangue pela vida, pela natureza enfim por um mundo melhor essencialmente melhor pra todos e todas.
Trazemos na bagagem do coração o recado sereno e inspirador de Dom Pedro: Que o sangue dos mártires não nós deixe em paz, porque o outro mundo possível somos nós!”
Tatiane Lasta – Presidente Getúlio/SC (Diocese de Rio do Sul)
“A Romaria dos Mártires da Caminhada é uma relíquia da Igreja da libertação. Na sua humildade reza a grandeza do amor de Deus misturado à esperança dos pobres. Ela é uma romaria capaz de celebrar as diferentes práticas em favor da vida existentes em vários lugares deste país e/ou do mundo. Para mim, a Romaria dos Mártires valoriza aquilo que é essencial: O Reino de Deus. Ela é realmente um momento forte de retiro espiritual para dentro da realidade do mundo que sofre crucificado. A Romaria dos Mártires constrói fé! Acho até que deveria ser transmitida ao vivo pelo menos por todos ao canais da mídia católica, pois realmente é uma Boa Notícia. Ela é um dos espaços aonde Deus convida para sermos testemunha do Reino.’ Vocês serão minhas testemunhas até os extremos da terra’ ” (At 1, 8).
Pe Igor Damo – Vargeão/SC (Diocese de Chapecó)
A Romaria pra mim uma experiência de renovação e esperança.
Apesar do sertão imenso, Deus está em cada olhar, em cada passo desse povo.. E principalmente na ternura e persistência de Dom Pedro Casaldáliga.
A certeza de que o sangue dos mártires não foi derramado em vão, purificaram a alma de todos nós, e unificaram ainda mais os que buscam e lutam pela causa do reino.
Reabastecidos desse sangue novo, temos mais certeza e ânimo para continuar a busca desse outro mundo possível, que começa em cada um de nós.
Franciele Santin – Caxambu do Sul/SC (Diocese de Chapecó)
É tarefa difícil tentar descrever em poucas linhas o que vivenciamos na Romaria.
O certo é que comungamos, nós, povos de todos os cantos, um sentimento vivo, de uma Igreja Viva, Libertadora e “pé no chão”, de um Deus Pai e Mãe Presente, que caminha conosco na luta diária. Sentimento esse, essencialmente simples!T ão simples que transforma.
Com certeza, a mística dos Mártires do Povo, daqueles que deram a vida pela Vida é como uma chama que nos impulsiona a ser aquilo que o Profeta Pedro Casaldáliga nos lembrou: de nunca desanimarmos, já que somos nós os portadores e portadoras do Outro Mundo Possível, do Reino. Cabe a nós multiplicá-lo.
Daniel Rodrigo Strelow – Diocese de Rio do Sul/SC
Participar da Romaria dos Mártires foi a realização de um sonho! Além de conhecer a Romaria, a história dos Mártires, os locais e sensações tocantes, o que mais marcou foi o contato muito próximo com o Profeta Casaldáliga, o toque de mão, o olhar fixo repassando uma verdade que não pode ser perdida: é preciso assumir a luta, a causa do Reino no dia a dia, todos os dias de nossas vidas! E mais, o Reino está em mim, em você, em cada um de nós! O testemunho dele, a sensibilidade, a meiguice, o humor e o profetismo, e firmeza são encantadores. Poder tocá-lo, perceber o quão humilde e acessível é nos fazer reanimar a esperança e a fé! Nos anima a continuar sendo sinais do Reino, optando pelo Projeto de Deus, andando na contramão, às avessas do mundo atual. Semeando amor, compaixão, solidariedade, denúncia e anúncio da boa nova, do outro mundo possível, e mais, sendo testemunha do Reino!
Liége Santin – Caxambu do Sul/SC (Diocese de Chapecó)
“Viver a romaria dos Mártires, para mim foi algo muito forte. Tempo de entender o martírio primeiro de Jesus Cristo, e o dos muitos que a seu exemplo doaram suas vidas até os limites da resistência, como grito profético de um projeto de vida, e vida em abundância para todos. O martírio ecoa no tempo e na história do povo.”
Marcos Serafim Tramontin – Araranguá/SC (Diocese de Criciúma)
A experiência de participar da Romaria dos Mártires com certeza foi inesquecível, desde o momento em que saí de minha casa, durante a viagem, chegando em Goiânia, passando na CAJU, e enfim na cidade de Ribeirão Cascalheira-MT. Toda a vivência que tivemos, o conhecer novas pessoas, ver seus rostos e sentir que buscam uma sociedade mais justa e fraterna, a partilha de alimentos, de água, de colchões, de saberes… com certeza tudo isso foi enriquecedor. Ouvir e ver Dom Pedro Casaldáliga foi um momento forte para mim, mesmo fragilizado, ele estava ali firme e forte em nosso meio, acolhendo a todos em sua casa e partilhando seu enorme saber… “podemos perder tudo menos a fé e a esperança…”"jamais se esqueçam do opção preferencial pelos pobres”. E além disso conhecer e lembrar tantas pessoas que assim como Jesus doaram suas vidas pelo Reino, foram e são verdadeiros mártires. Tudo isso me fez pensar na minha prática no dia a dia, e me passaram vários sentimentos como alegria, inquietude, coragem, ânimo… e que como Dom Pedro falava o outro mundo possível somos nós, só precisamos acreditar nisso e seguir em frente.
Maurício Marchi – Diocese de Rio do Sul/SC
Para mim vivenciar a Romaria dos Mártires foi uma experiência de fé e vida. Espaço de partilha, de sonhos, de diversidade, de irmandade…
Momento de recordar a vida e a luta dos/as mártires da caminhada…
Momento de celebrar a Páscoa, com Cristo e com todos e todas que assim como Ele doaram suas vidas pela construção do Reino!
Momento de fortalecer nossa esperança libertadora!
Momento de testemunhar o Reino, o “outro mundo possível “ que já acontece, que somos nós!
Ediane Soares – Florianópolis/SC
A Romaria reafirmou a certeza de que a exemplo de tantas testemunhas do Reino que deram sua vida pelas causas do povo há muito trabalho pra ser feito no mundo. Que é preciso assumir como modo de vida e de ação as CAUSAS pelas quais os/as mártires tombaram.
O mais tocante foi ouvir e aproximar-se do Pastor e Profeta Casaldáliga. Suas sábias palavras
e o semblante inspirador apontou para o cuidado com o desanimo, a preguiça, a mesmice, a
falta de Fé, o cansaço, a descrença que parece pairar na Igreja e no mundo afirmando ser estas
atitudes, heresias, pois os/as cristãos devem ser SEMPRE gente de FÉ e de ESPERANÇA.
Para a vida cotidiana esta experiência questiona o jeito de viver ainda apegado as coisas do
mundo e desafia a ser testemunha do Reino além das sacristias, reuniões eclesiais, celebrações
e demais atividades internas da Igreja. Com ousadia é preciso lançar as redes em águas mais
profundas, ser sinal do Reino na estrutura de Estado, nas Universidades, nas grandes cidades e
tantos outros cantos do mundo que demoram sair dos discursos e análises eclesiais e pastorais
e que clamam urgentemente pelo nossos pés, nossas mãos, cabeça e coração.
Fernanda Segalin – Anchieta/SC (Diocese de Chapecó>
A Romaria dos Mártires é muito maior que os 2 dias do evento. É um processo e que envolve uma forte mística de espiritualidade libertadora. É um momento de encontro daqueles que acreditam numa Igreja profética e missionária. É uma fonte que nos fortalece na caminhada pastoral.
A partir da memória dos mártires, nos encorajamos a seguir com muito mais vigor na construção do Reino de Deus.
Um dos vários momentos marcantes foi o testemunho de Zenilda Xukuru, da viúva do cacique Chicão Xukuru (assassinado em 1998). Ela disse: “O sangue dos mártires volta para nossas veias e nos alimenta”.
Com todas essas vivências, volto para Santa Catarina com um ânimo ainda maior de contribuir na construção da Civilização do Amor!
Rodrigo da Silva – Florianópolis/SC

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